Pantanal registra maior perda de água do país e fecha 2025 com volume 56% abaixo da média histórica
Levantamento aponta estiagem prolongada e redução das áreas inundadas em um dos principais biomas brasileiros
O Pantanal encerrou 2025 com a maior redução de superfície de água entre todos os biomas brasileiros, segundo dados divulgados pelo MapBiomas. O levantamento aponta que o volume hídrico na região ficou 56% abaixo da média histórica, reforçando o cenário de seca que vem afetando a maior planície alagável do mundo nos últimos anos.
De acordo com o estudo, a situação mais crítica foi registrada na Bacia do Paraguai, área que concentra grande parte do Pantanal. A região apresentou uma das maiores perdas de superfície de água do país, resultado da escassez de chuvas e da ausência de cheias significativas ao longo do ano.
Os dados mostram ainda que o Pantanal foi o único bioma brasileiro a permanecer abaixo da média histórica de disponibilidade hídrica durante todos os meses de 2025. O comportamento evidencia uma tendência de redução dos ciclos naturais de inundação, fundamentais para a manutenção dos ecossistemas pantaneiros.
Os estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso lideraram as perdas de áreas cobertas por água em comparação aos índices históricos. Somente em Mato Grosso do Sul, o déficit ultrapassou meio milhão de hectares, afetando rios, corixos, baías e áreas tradicionalmente alagadas.
Especialistas apontam que fatores como as mudanças climáticas, o aumento das temperaturas, a redução dos índices pluviométricos e as alterações no uso e ocupação do solo contribuem para a diminuição da disponibilidade de água na região. O fenômeno tem impactos diretos sobre a biodiversidade, a pesca, a pecuária e aumenta o risco de incêndios florestais, que têm se tornado cada vez mais frequentes no bioma.
O novo diagnóstico reforça a necessidade de ampliar as ações de conservação ambiental, gestão dos recursos hídricos e monitoramento permanente do Pantanal, considerado um dos ecossistemas mais importantes para o equilíbrio ambiental da América do Sul. A preservação das áreas úmidas é apontada como estratégica para a manutenção da biodiversidade e da segurança hídrica da região.
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