Operação do Gaeco investiga esquema milionário em contratos de livros e serviços de saúde em MS
Ação cumpriu 59 mandados em três estados e apura fraudes que podem ter movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta terça-feira (7), a Operação Gutenberg para investigar um suposto esquema de fraudes em contratos públicos relacionados à aquisição de livros paradidáticos e à prestação de serviços na área da saúde em Mato Grosso do Sul. Segundo o Ministério Público, as irregularidades investigadas podem ter movimentado mais de R$ 27 milhões em recursos públicos.
Durante a operação, foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. No território sul-mato-grossense, as diligências ocorreram nos municípios de Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho.
As investigações apontam que empresários e servidores públicos teriam atuado em conjunto para direcionar processos de contratação, principalmente na compra direta de livros paradidáticos. Conforme o Gaeco, os recursos pagos pelos contratos eram posteriormente distribuídos entre integrantes da organização e empresas utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.
A apuração também identificou indícios de atuação do grupo na área da saúde pública. De acordo com o Ministério Público, servidores públicos teriam facilitado o acesso de pacientes a exames, cirurgias e internações hospitalares, condicionando esses atendimentos à compra de produtos comercializados por empresas ligadas aos investigados.
Segundo o Gaeco, há indícios de que o esquema permanecia em atividade e mantinha contratos vigentes com municípios de Mato Grosso do Sul no momento da deflagração da operação.
A ação contou com o apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que auxiliaram no cumprimento dos mandados judiciais.
O nome "Operação Gutenberg" faz referência a Johannes Gutenberg, inventor da prensa de tipos móveis. Conforme o Gaeco, a denominação simboliza a utilização de contratos relacionados à aquisição de livros como parte do suposto esquema investigado, que buscava conferir aparência de legalidade às contratações.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção, fraude em licitações e outros delitos que ainda serão apurados ao longo das investigações.
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