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Violência na fronteira: morte de policial militar e ataques reforçam alerta sobre avanço das facções em Corumbá

Confrontos, investigações e grandes apreensões de drogas e insumos evidenciam a disputa pelo controle de rotas do narcotráfico na região de fronteira entre Brasil e Bolívia.

Violência na fronteira: morte de policial militar e ataques reforçam alerta sobre avanço das facções em Corumbá
Violência na fronteira: morte de policial militar e ataques reforçam alerta sobre avanço das facções em Corumbá (Foto: Reprodução)

A morte de um policial militar durante uma perseguição, ataques contra equipes policiais e uma série de operações de combate ao tráfico colocaram Corumbá e Ladário no centro das atenções das forças de segurança pública. Os episódios, registrados nos últimos dias, ocorrem em meio ao aumento da violência atribuído à disputa entre grupos criminosos que atuam na fronteira entre Mato Grosso do Sul e a Bolívia.

O caso de maior repercussão aconteceu na noite de 30 de junho, quando o soldado Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, integrante do Grupamento Especial Tático de Motos (GETAM) do 6º Batalhão da Polícia Militar, foi morto durante uma ocorrência iniciada em Ladário. Conforme informações das autoridades, suspeitos que ocupavam um Fiat Argo efetuaram disparos contra uma residência e, durante a fuga, houve perseguição policial.

Ao abordar o veículo, os policiais foram recebidos a tiros. O militar foi atingido e morreu no local. As investigações apontam que o crime pode estar relacionado à disputa entre grupos envolvidos no tráfico de drogas na região de fronteira. O policial havia ingressado recentemente na corporação e deixou uma filha de sete anos.

Após o homicídio, vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram homens armados exibindo fuzis e fazendo ameaças, citando Corumbá, Ladário e a Bolívia. O material passou a ser analisado pelas forças de segurança como parte das investigações.

Ataque durante transferência de preso

No último sábado (4), outro episódio elevou o nível de alerta na região. Durante a transferência de um preso apontado como suspeito de participação na morte do policial para Campo Grande, um comboio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foi alvo de disparos.

Segundo a polícia, as viaturas haviam parado em um posto de combustíveis na saída de Corumbá para uma manutenção emergencial quando criminosos atiraram a partir de uma área de mata. Houve troca de tiros e o detento Rubens Zilio Neto, de 35 anos, foi baleado e morreu. Nenhum policial ficou ferido.

As circunstâncias do ataque continuam sendo investigadas. Entre as hipóteses analisadas está a possibilidade de uma tentativa de resgate ou de um acerto de contas entre integrantes de organizações criminosas.

Região é estratégica para o tráfico

A localização de Corumbá, na fronteira com a Bolívia, faz do município uma das principais rotas utilizadas pelo tráfico internacional de drogas. Nos últimos meses, operações policiais resultaram em apreensões consideradas de grande impacto.

Entre elas está a apreensão de aproximadamente 21 toneladas de acetato de etila, substância utilizada no refino da cocaína, realizada em uma ação conjunta da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Outra operação interceptou uma carga de madeira onde havia indícios de transporte de cocaína diluída, enquanto a Operação Fronteira Blindada prendeu diversas pessoas suspeitas de atuar como "mulas" do tráfico em ônibus clandestinos que saíam da região de fronteira.

Reforço na segurança é cobrado

A sequência de ocorrências reacendeu o debate sobre o reforço da segurança na faixa de fronteira. Parlamentares e autoridades estaduais defendem maior participação do Governo Federal nas ações de combate ao crime organizado, destacando que a região exige investimentos permanentes em efetivo, inteligência e tecnologia de monitoramento.

Operações integradas, como a Operação Ágata, seguem sendo realizadas por forças federais e estaduais para combater o tráfico de drogas e armas. Entretanto, especialistas em segurança pública avaliam que a atuação das organizações criminosas demonstra a necessidade de ampliar a presença do Estado e fortalecer a cooperação entre Brasil e Bolívia no enfrentamento ao crime transnacional.

Enquanto as investigações prosseguem, as forças de segurança mantêm operações ostensivas em Corumbá e Ladário para localizar suspeitos e impedir novos ataques relacionados à disputa entre facções criminosas na região de fronteira.

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