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Ataque a comboio da PM termina com morte de investigado por assassinato de policial em MS

Ação reforça os desafios do combate ao crime organizado na fronteira de Corumbá, considerada uma das principais rotas estratégicas do tráfico de drogas e armas.

Ataque a comboio da PM termina com morte de investigado por assassinato de policial em MS
Ataque a comboio da PM termina com morte de investigado por assassinato de policial em MS (Foto: Reprodução)

Um homem investigado por participação no assassinato do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva morreu na tarde deste sábado (4) durante um ataque contra um comboio do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), na região de Porto Morrinho, a cerca de 70 quilômetros de Corumbá. O episódio evidencia o elevado grau de ousadia das organizações criminosas que atuam na faixa de fronteira entre Brasil e Bolívia, considerada uma das principais portas de entrada de drogas, armas e munições para o país.

De acordo com informações da Polícia Militar, Rubens Zilio Neto, de 35 anos, era transferido para Campo Grande sob forte esquema de segurança quando uma das viaturas apresentou problemas em um pneu. Durante a parada em um posto de combustíveis localizado próximo à ponte sobre o Rio Paraguai, equipes realizavam a substituição do pneu enquanto o preso era conduzido ao banheiro da conveniência.

Nesse momento, policiais ouviram disparos de arma de fogo de grosso calibre vindos de uma área de mata nas proximidades. Rubens foi atingido e morreu ainda no local. Nenhum policial ficou ferido.

Após o ataque, equipes de reforço realizaram incursões e varreduras na vegetação ao redor do posto em busca dos autores dos disparos. As buscas, no entanto, foram suspensas ao anoitecer devido às condições de baixa visibilidade e seguem sendo objeto de investigação.

A Polícia Civil e a Perícia Científica realizaram os levantamentos no local, recolheram imagens do sistema de videomonitoramento do estabelecimento e ouviram testemunhas para esclarecer a dinâmica da ocorrência.

O ataque contra o comboio demonstra o elevado nível de enfrentamento imposto pelas facções criminosas às forças de segurança que atuam na região de fronteira. Corumbá ocupa posição estratégica no combate ao crime organizado por fazer divisa com a Bolívia, rota frequentemente utilizada por organizações criminosas para o transporte de drogas, armas, munições e outros produtos ilícitos destinados aos grandes centros urbanos brasileiros. Por essa razão, as forças policiais mantêm operações permanentes de inteligência, fiscalização e repressão para desarticular essas organizações e impedir o avanço de suas atividades.

Assassinato de policial mobilizou grande operação

A morte de Rubens ocorre poucos dias após o assassinato do soldado da Polícia Militar Marcelo Pimenta da Silva, de 32 anos, integrante do Grupamento Especial Tático de Motos (GETAM) do 6º Batalhão da PM. O militar foi baleado durante uma perseguição a criminosos armados na noite de 30 de junho e morreu após ser socorrido à Santa Casa de Corumbá.

As investigações apontam que a ocorrência teve início em Ladário, após criminosos efetuarem diversos disparos contra uma residência nas proximidades da Praça do bairro Almirante Tamandaré. Equipes da Polícia Militar localizaram o veículo utilizado pelos suspeitos e iniciaram o acompanhamento em Corumbá. Durante a tentativa de abordagem, os criminosos reagiram atirando contra os policiais, atingindo fatalmente o soldado Marcelo Pimenta.

O assassinato desencadeou uma ampla força-tarefa integrada envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Departamento de Operações de Fronteira (DOF), Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), coordenada pela Polícia Federal, além da cooperação da Polícia Boliviana.

As ações resultaram na prisão de suspeitos, na localização do veículo utilizado no crime e na apreensão de um arsenal composto por dois fuzis, duas pistolas, um revólver calibre .38 e grande quantidade de munições, armamento que, segundo as investigações, estava escondido em um imóvel onde uma mulher foi presa.

Além de Rubens, outro investigado, Everton da Silva Viana, morreu durante as diligências. Conforme a versão apresentada pelas autoridades, ele teria tentado tomar a arma de um policial durante as buscas por mais armamentos e acabou sendo baleado.

Na última quinta-feira (2), a Justiça converteu em prisão preventiva as prisões em flagrante de Rubens e da mulher detida na operação, atendendo à representação da Polícia Civil com parecer favorável do Ministério Público.

As forças de segurança continuam as buscas por um terceiro investigado apontado como participante do assassinato do soldado Marcelo Pimenta. A operação permanece em andamento, reforçando a atuação integrada dos órgãos de segurança pública no enfrentamento às facções criminosas que utilizam a região de fronteira como corredor logístico para suas atividades ilícitas.

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